Todos os dias, toneladas de resíduo urbano seguem em caminhões até os aterros sanitários das grandes cidades. Grande parte desse material carrega um potencial pouco percebido pelo público. À medida que a matéria orgânica se decompõe sob camadas de terra, ela libera o biogás, um gás rico em metano capaz de gerar energia elétrica. Poucos setores refletem tão bem quanto a gestão de resíduos a distância entre o que se descarta e o que ainda pode ser aproveitado.
Com atuação em saneamento ambiental, energia limpa e valorização de resíduos, a Versa Engenharia Ambiental considera esse aproveitamento uma peça central da gestão de resíduos moderna, ainda pouco explorada em boa parte do país. O caminho entre o aterro e a tomada passa por etapas técnicas que raramente chegam ao conhecimento de quem só vê o caminhão passar.
O que é o biogás gerado pelos aterros sanitários?
O biogás nasce da decomposição de restos de alimentos, papel, madeira e outros materiais orgânicos presentes no lixo comum. Sem oxigênio disponível nas camadas mais profundas do aterro, microrganismos quebram essa matéria e liberam uma mistura de gases, principalmente metano e dióxido de carbono. A decomposição segue de forma contínua, durante anos, em qualquer aterro sanitário ativo.
Liberado sem controle, o metano se torna um dos gases mais potentes para o efeito estufa, consideravelmente mais impactante que o dióxido de carbono quando alcança a atmosfera. Por isso, captar esse gás não é apenas uma oportunidade energética. É também uma forma de reduzir um problema ambiental que o próprio aterro produziria de qualquer maneira.
Como o gás vira energia elétrica na prática?
Um aterro sanitário em pleno funcionamento reúne uma rede de poços verticais que perfuram as camadas de resíduo e captam o gás liberado pela decomposição. Uma malha de dutos liga esses poços a uma unidade central, onde o biogás passa por processos de secagem e remoção de contaminantes antes de seguir adiante.

Depois de purificado, o gás alimenta conjuntos moto-geradores, equipamentos que convertem a energia química do metano em energia mecânica e, em seguida, em eletricidade. A eletricidade gerada pode abastecer as próprias instalações do aterro ou ser injetada na rede elétrica local. A Versa Ambiental aponta que esse processo consegue, quando bem dimensionado, dar destino produtivo a um gás que, de outra forma, seria apenas queimado sem retorno energético.
Por que aproveitar o biogás em vez de só queimá-lo?
Muitos aterros ainda optam pela queima simples do gás captado, prática chamada de flare, apenas para evitar que o metano escape puro para a atmosfera. A prática resolve parte do problema ambiental, mas desperdiça um recurso energético que poderia substituir fontes mais poluentes na matriz local.
Na comparação entre as duas práticas, a Versa Engenharia Ambiental LTDA observa que aterros com sistemas maduros de captação conseguem transformar um passivo ambiental em fonte estável de energia renovável, sem depender de condições climáticas como sol ou vento. Diferente da energia solar ou eólica, o biogás de aterro é gerado de forma constante, o que garante previsibilidade a quem planeja o abastecimento de uma região.
O potencial que ainda fica represado nos aterros brasileiros
A maior parte dos aterros do país ainda não aproveita o biogás disponível para geração de energia. Em muitos casos, o gás é apenas queimado, sem qualquer conversão em eletricidade, mesmo quando o volume de resíduos recebido diariamente seria suficiente para justificar o investimento em uma usina própria.
Ampliar esse tipo de aproveitamento depende menos de tecnologia disponível e mais de planejamento desde a fase de projeto do aterro, quando a infraestrutura de captação já pode ser dimensionada para gerar energia em escala. Para a Versa Ambiental, o desafio deixou de ser tecnológico há tempos. O que falta, na maioria dos casos, é tratar o biogás como parte do projeto de engenharia, e não como um subproduto a ser descartado depois que o aterro já está em operação.
