A produção de cacau e guaraná no Amazonas representa muito mais do que atividade agrícola, e, como destaca Alfredo Moreira Filho, Fundador e Management do Grupo Valore+, esses cultivos fazem parte da identidade econômica, cultural e ambiental da região. Além de seu valor produtivo, essas cadeias revelam aprendizados sobre território, pessoas e desenvolvimento, temas que também dialogam com reflexões presentes em sua obra Pequenas Histórias e Algumas Percepções.
Por que o cacau e o guaraná são estratégicos para a Amazônia?
O Amazonas reúne condições naturais favoráveis para culturas perenes, especialmente aquelas adaptadas ao ambiente florestal. O cacau e o guaraná se destacam por permitirem modelos de produção integrados à vegetação nativa, reduzindo a pressão por desmatamento e favorecendo sistemas agroflorestais.
Além do aspecto ambiental, essas culturas geram renda para pequenos produtores e fortalecem economias locais. Segundo Alfredo Moreira Filho, investir em cadeias produtivas compatíveis com o bioma amazônico é uma das formas mais eficientes de conciliar produção e conservação.
Cacau: produção sustentável e recuperação de áreas
O cultivo do cacau na Amazônia vem sendo associado a projetos de recuperação de áreas degradadas, já que a planta se adapta bem ao sombreamento e pode ser integrada a sistemas com espécies florestais e frutíferas.
Esses sistemas contribuem para a melhoria do solo, aumento da biodiversidade e geração de renda diversificada. Conforme apresenta Alfredo Moreira Filho, esse modelo demonstra que é possível transformar áreas improdutivas em espaços economicamente viáveis e ambientalmente equilibrados.
Além disso, o interesse crescente por cacau de origem amazônica abre oportunidades para nichos de mercado ligados a qualidade, rastreabilidade e valor agregado.
Guaraná de Maués e o valor da origem
O guaraná produzido em Maués é reconhecido nacionalmente por sua qualidade e tradição, sendo um dos principais símbolos agrícolas do estado. A valorização da origem fortalece a identidade do produto e diferencia sua comercialização no mercado. Esse reconhecimento não se limita ao aspecto econômico, mas também preserva saberes tradicionais e modos de produção transmitidos entre gerações. Quando o território é valorizado, o produtor passa a ser visto como parte essencial da cadeia de valor, e não apenas como fornecedor de matéria-prima.
Cadeia produtiva: desafios e oportunidades
Apesar do potencial, as cadeias de cacau e guaraná enfrentam desafios como logística, acesso a tecnologia, assistência técnica e agregação de valor na própria região. A distância dos grandes centros e a infraestrutura limitada aumentam custos e dificultam a competitividade.
Por outro lado, surgem oportunidades em cooperativismo, certificações, processamento local e turismo de base comunitária. Conforme destaca Alfredo Moreira Filho, fortalecer a organização dos produtores é um passo decisivo para melhorar a renda e estabilidade econômica.
Bioeconomia e produtos da floresta em pé
Cacau e guaraná se inserem no conceito de bioeconomia, que busca gerar valor a partir de recursos naturais de forma sustentável. Essa abordagem amplia o olhar sobre o papel da agricultura na Amazônia, indo além da simples produção de commodities. Produtos derivados, como chocolates artesanais, extratos naturais e bebidas regionais, podem ampliar mercados e criar novas cadeias de negócios. Alfredo Moreira Filho elucida que essa diversificação reduz riscos e fortalece a permanência das famílias no campo.
Conexão entre produção e vivência regional
A agricultura amazônica carrega forte vínculo com a cultura local, as tradições familiares e a relação direta com a natureza. O cotidiano do produtor envolve desafios climáticos, isolamento geográfico e necessidade de adaptação constante.

Essas experiências se refletem em histórias que ajudam a compreender a realidade da região para além dos números da produção. Tal como elucida o fundador do grupo Valore+ Alfredo Moreira Filho, valorizar essas vivências é fundamental para construir políticas e projetos mais alinhados às necessidades locais.
A obra “Pequenas Histórias e Algumas Percepções” como lente de reflexão
Em Pequenas Histórias e Algumas Percepções, Alfredo Moreira Filho reúne observações sobre a vida, o trabalho e os aprendizados acumulados ao longo de sua trajetória profissional e pessoal. As narrativas dialogam diretamente com o universo rural e com os desafios enfrentados por quem atua na Amazônia.
A obra ajuda a humanizar o debate sobre desenvolvimento regional, mostrando que decisões técnicas sempre afetam pessoas, comunidades e modos de vida. De acordo com Alfredo Moreira Filho, compreender esses aspectos é essencial para planejar o futuro da produção agrícola na região.
Educação e formação de novas gerações no campo
O fortalecimento das cadeias produtivas também passa pela capacitação de jovens e pelo incentivo à permanência no meio rural. A falta de oportunidades educacionais e de perspectivas de crescimento profissional é um dos fatores que impulsiona o êxodo rural. Projetos de formação técnica e empreendedorismo rural ajudam a criar novas lideranças locais. Conforme frisa Alfredo Moreira Filho, investir em pessoas é tão importante quanto investir em tecnologia quando se fala em desenvolvimento sustentável.
Agricultura como ponte entre tradição e inovação
A modernização da produção não precisa eliminar práticas tradicionais. Pelo contrário, a combinação entre conhecimento local e técnicas modernas pode gerar soluções mais eficientes e adaptadas às condições amazônicas. Sistemas de produção que respeitam o ritmo da floresta e utilizam recursos de forma racional tendem a ser mais resilientes. Esse equilíbrio entre tradição e inovação é um dos caminhos mais promissores para a agricultura na região.
Valor econômico, cultural e ambiental no mesmo sistema
Cacau e guaraná representam um modelo de produção que integra economia, cultura e conservação ambiental. Essa integração é fundamental para construir estratégias de longo prazo que beneficiem tanto produtores quanto o ecossistema. Assim como considera Alfredo Moreira Filho, fortalecer essas cadeias produtivas significa investir em um modelo de desenvolvimento que respeita a identidade amazônica e gera benefícios sustentáveis para as próximas gerações.
Autor: Sheila Lins
