Especialistas em segurança digital alertam que fraudes personalizadas e deepfakes tornam golpes financeiros mais convincentes e mais rápidos de aplicar.
O Pix segue no centro das fraudes financeiras no Brasil, mas a forma como os golpes são aplicados mudou de maneira significativa nos últimos meses. Em vez de mensagens genéricas, cheias de erros de português e fáceis de identificar, criminosos passaram a usar inteligência artificial para montar abordagens personalizadas, com dados reais da vítima e narrativas que soam plausíveis. A dúvida que fica para quem usa o aplicativo do banco todos os dias é: como reconhecer um golpe que já não tem mais os sinais óbvios de sempre.
Como a inteligência artificial mudou o perfil das fraudes com Pix
Segundo levantamento da empresa de segurança digital ESET, o golpe já não começa mais com erro de português, e sim com o nome da vítima, sua cidade e uma história que faz sentido para o contexto dela. Essa mudança é possível porque ferramentas de inteligência artificial generativa permitem cruzar dados vazados, como CPF, e-mail e histórico de compras, e produzir em poucos minutos um texto convincente, moldado especificamente para aquela pessoa. O resultado é um golpe muito mais difícil de identificar à primeira vista, mesmo para quem já está atento a fraudes digitais. Security Leaders
Além da personalização por texto, cresce também o uso de deepfakes, vídeos e áudios falsos gerados por inteligência artificial que imitam vozes e rostos de autoridades ou até de conhecidos da vítima. Já circulam conteúdos falsos simulando autoridades públicas anunciando supostas mudanças no Pix, peça que tende a ficar ainda mais realista com a evolução dessas ferramentas. Um relatório da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor apontou que cerca de 28 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo o Pix apenas em 2025, com pessoas acima de 50 anos representando mais da metade dos casos.
Os golpes mais comuns e como reduzir o risco de cair neles
Entre as modalidades mais recorrentes está o golpe da falsa central de atendimento, em que criminosos se passam por funcionários de bancos e convencem a vítima a fazer uma transferência para “regularizar” a conta. Também é frequente o chamado golpe do Pix errado, em que o golpista envia um valor por engano e depois pressiona a vítima a devolver o dinheiro para outra chave, muitas vezes em dobro. Falsas vagas de emprego e lojas online fraudulentas completam a lista das fraudes mais reportadas, quase sempre exigindo pagamento imediato via Pix fora de qualquer canal oficial.
A recomendação de especialistas é simples, mas exige atenção redobrada: nenhum banco pede transferência para cancelar outra transferência, nem solicita senha, token ou código por telefone ou mensagem. Diante de qualquer contato suspeito, o caminho mais seguro é encerrar a comunicação e procurar o número oficial da instituição financeira por conta própria, sem usar links ou telefones enviados pela pessoa que fez o contato. O Banco Central também vem reforçando mecanismos de proteção dentro do próprio sistema, mas o comportamento do usuário continua sendo a principal linha de defesa contra esse tipo de fraude.
